Quem tem medo de Lucília Gago?

Lucília Gago, a nova procuradora-geral da República. Fonte - DR

 

Lucília Gago foi a escolhida por Marcelo Rebelo de Sousa para liderar o Ministério Público e substituir Joana Marques Vidal, que ocupou o cargo nos últimos seis anos.

De nome completo Lucília Maria das Neves Franco Morgadinho Gago, a nova Procuradora-Geral da República nasceu em Lisboa e tem 62 anos. Quase metade da sua idade traduz-se em experiência profissional: 35 anos iniciados por uma licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1978. Dois anos depois integrou a equipa do Centro de Estudos Judiciários.

Mas falar de Lucília Gago é falar da sua batalha pelos direitos das famílias, das crianças e jovens – missão que começou a desenvolver quando, em 1994, foi promovida a Procuradora, exercendo funções no Tribunal de Família e Menores, no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, onde fez parte de uma secção dedicada aos crimes de corrupção, branqueamento de capitais e criminalidade económico-financeira.

Esteve envolvida em vários casos mediáticos, como as viagens fantasma de deputados e a morte de dois militares durante a “Prova Zero” do curso 127 dos Comandos.

 

O MEDO VAI TER TUDO, TUDO…

PENSO NO QUE O MEDO VAI TER

E TENHO MEDO, QUE É JUSTAMENTE O QUE O MEDO QUER…

Alexandre O’Neill

 

É este poema de O’Neill que Lúcilia Gago utilizou como casa de partida para o livro que co-escreveu, “Violência Doméstica – Implicações sociológicas, psicológicas e jurídicas do fenómeno.” No livro enfrenta a dura realidade do aumento da violência no seio familiar, especialmente entre jovens e namoros, e apresenta uma espécie de modus operandi para a reação e tratamento criminal desses casos.

Em 2016, foi promovida quase por unanimidade a Procuradora-Geral Adjunta e, sob tutela de Marques Vidal, foi chamada para dirigir o Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa.

Lucília Gago é casada com o procurador Carlos Gago, um importante membro do PCTP/MRPP que fez parte da direção da PJ na altura de Fernando Negrão e Luís Bonina.

“É uma magistrada de fibra que não tem muita experiência na área criminal e não gosta de exposição mediática”, resumiu um magistrado anónimo ao jornal Expresso.

Mas porquê a escolha de Lucília Gago e não a recondução de Joana Marques Vidal ao cargo?

A nota do Presidente da República responde. Primeiro, porque o Presidente “sempre defendeu a limitação de mandatos” e também porque Gago “garante, pela sua pertença ao Ministério Público, pela sua carreira e pela sua atual integração na Procuradoria-Geral da República – isto é, no centro da magistratura – a continuidade da linha de salvaguarda do Estado de Direito Democrático, do combate à corrupção e da defesa da Justiça igual para todos.”

Durante os tempos democráticos, os anteriores titulares do cargo da Procuradoria-Geral da República foram Pinto Monteiro (2006-2012), Souto de Moura (2000-2006), Cunha Rodrigues (1984-2000), Arala Chaves (1977-1984) e Pinheiro Farinha (1974-1977).

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