Red Bean Rice: “Dois irmãos inspirados pela comida vegan da sua avó”

Tomás (à esquerda) e Duarte (à direita), numa fotografia usada para o cartaz do concerto no Club Balattou, a 5 de março.
Fotografia de Mendo Dornellas (imagem cedida por Red Bean Rice).

Os Red Bean Rice apareceram em 2019 e têm vindo a ganhar nome. Os dois irmãos Appleton – Duarte, com 18 anos, e Tomás, com 27 – juntaram-se e começaram esta banda. Tocam os dois, sozinhos ou acompanhados por outros amigos, como o João e o Chico. Começaram por tocar em bares e restaurantes. Hoje, já tocam em festivais.

 

            Foi em fevereiro, no Appleton Square, em Lisboa, que Duarte, com a ajuda de João e Chico, deu o seu último concerto antes da partida para a tour no Canadá. Viria a juntar-se ao irmão nos primeiros dias do mês de março. Até lá, havia uns últimos concertos para dar em Portugal, enquanto Tomás começava a tour no país da América do Norte. Não lhes é estranha a ideia de tocar apenas um em nome dos dois. Devido às longas temporadas que passam fora, a “repartição” da banda foi a solução que encontraram para estarem à altura do número de concertos para os quais são contratados.

            Duarte, novamente com a ajuda de João e Chico, participou no evento “We’re on the Road to Somewhere”. Este concerto pertencia a uma apresentação, em Lisboa, do que havia sido o festival Gliding Barnacles, que acontece durante o verão na Figueira da Foz (ainda não há informações sobre o impacto do coronavírus na edição de 2020). Num evento onde se juntou surf, arte e gastronomia, a banda mostrou-se mais do que capaz de satisfazer o público.           

            Já reunidos no Canadá, os dois irmãos deram o seu primeiro concerto no dia 5 de março. Nesta altura, com cada vez mais adesão ao estilo da banda, o principal objetivo dos dois era conseguir encher o local do último espetáculo, marcado para 24 de abril na La Vitrola – a 3,5 quilómetros de Montreal.

Uma semana depois da chegada de Duarte, os irmãos foram proibidos de sair de casa devido ao surto de covid-19, e todos os seus concertos começaram a ser cancelados. No dia 19 de março viram-se obrigados a regressar a Portugal.

            Em retrospetiva, os dois conseguem perceber os pontos positivos e negativos da experiência e qual o caminho a seguir a partir daqui.

            “Lá [no Canadá] existe uma maior predisposição para apoiar música original do que cá. É comum as pessoas juntarem-se num bar para ouvir música que não conhecem. Sinto que isso não acontece muito em Portugal. Geralmente, as pessoas vão a bares e esperam ouvir músicas que conhecem e de que gostam. Não há tanta abertura para descobrir música nova e apoiar música local.”

Segundo os Red Bean Rice, em território nacional existe um certo conformismo e uma tendência para se consumir aquilo que já é conhecido, fechando-se portas a quem se quer dar a conhecer. Em Lisboa, dizem não existir abertura, e, por isso, têm tocado sobretudo na área da Parede, onde o seu nome já é conhecido e as suas músicas são cantadas por muitos. Aqui, as pessoas mostram-se cada vez mais recetivas ao novo e a banda tem conseguido angariar público, que leva de concerto em concerto.

            No que toca aos pontos negativos, os gastos financeiros da aventura norte-americana foram o principal problema. “A viagem até ao Canadá era um investimento que acabou por não ter o retorno esperado”, reconhece Duarte.

            Para Tomás, a escolha do Canadá para a tour era quase óbvia: “Já tinha estado lá três meses e acabei por conhecer vários dos músicos que estavam a começar a crescer no país. Já em Londres estive quatro anos e isso nunca aconteceu. Era muito mais difícil fazer os contactos certos. Sendo Montreal mais pequena, tínhamos possibilidades de, mexendo-nos bem, pôr a nossa música a tocar na rádio. Seria uma boa rampa de lançamento para a nossa música na América do Norte”. Este seria o plano: a tour no Canadá, voltar dois meses para Portugal para ensaiar e fazer a Europa no verão. Esta tour seria, então, a porta de entrada para muitos outros locais, mas, visto que o vírus os impossibilitou de realizar os concertos, o novo plano será manterem-se pela Europa e investirem neste mercado.

Fotografia de Inês Ambrósio (imagem cedida por Red Bean Rice).

Enquanto se mantêm em casa, os dois irmãos têm escrito novas músicas e dado concertos através do Instagram. Até à data  já fizeram cinco atuações online, através de empresas portuguesas, espanholas e inglesas. Para além destas, também atuaram através do Instagram da “DreamSeaSurf”, empresa presente em diversos países: Sri Lanka, Bali, Nicarágua, França, Portugal e Espanha. Em média, dizem ter “dado música” a audiências entre as 300 e as 1200 pessoas, havendo ocasiões em que o público pedia uma música específica, o que os deixou surpreendidos e gratos.

Apesar de o vírus ter estragado os planos dos dois irmãos, ambos sentem que o engagement tem subido e que esta é uma fase para produzir conteúdo que se adeque ao momento.

            Em exclusivo para o 8ª Colina, os Red Bean Rice disponibilizaram um live take de uma música ainda por lançar – “Parti”. Esta música marca a saudade que os dois sentem um do outro quando não estão juntos em Portugal. Todas as outras podem ser ouvidas no Youtube, no Spotify ou no Instagram.

            Os Red Bean Rice apresentam o seu primeiro concerto pós-quarentena no dia 20 de junho. Será às 18h30 na Casa do Pico em Carcavelos e ao ar livre. O espaço está limitado a vinte pessoas para garantir a segurança de todos. Juntam-se assim, de novo, para aquele que será o início de uma nova realidade de concertos.

Artigo escrito por: Joana Melo

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