(re)Folhear 2019

Um livro a quatro mãos, conversas, plástico e uma dose dupla de Brasil

No ano do centenário de Sophia de Mello Breyner e de Jorge de Sena, muitos foram os livros publicados. Num ano cheio de prémios literários, incluindo o regresso do Nobel da Literatura, em dose dupla, estes são alguns dos livros a destacar – todos publicados em 2019.

(Capa da editora Quetzal. Montagem: Magda Cruz)

O Terrorista Elegante e Outras Histórias

de José Eduardo Agualusa e Mia Couto 

Dois grandes escritores portugueses – Agualusa nascido em Angola, Mia natural de Moçambique – juntam-se para escrever três novelas curtas, escritas em lugares diferentes. Estes contos estão publicados na Quetzal, desde setembro, e são baseados em peças de teatro escritas pelos dois autores para os grupos de teatro “A Barraca”, de Lisboa, e “Trigo Limpo – Teatro ACERT”, de Tondela.


O conto que dá o nome ao livro, “O terrorista elegante”, é sobre um angolano que é preso em Portugal por suspeita de participar em atos de terrorismo. O segundo conto chama-se “Chovem amores na rua do matador”. Aqui, o protagonista quer ficar em paz com o passado, matando as três mulheres da sua vida. O terceiro e último conto passa-se nas ruas escuras de uma cidade onde um estranho mascarado procura quem matar. Este tem por título “A caixa preta”.

(Capa da editora Guerra e Paz. Montagem: Magda Cruz)

30 portugueses, 1 país

de Luís Osório

Depois dos mais recentes livros “Mãe, Promete-me Que Lês” eA Queda de um Homem”, Luís Osório chegou à frente de três dezenas de portugueses e perguntou-lhes não só o que pensam e o que querem de Portugal, como também o que fazem pelo país.

Dentro deste grande retrato de pessoas que fazem o país estão políticos, como António Costa; artistas, como Joana Vasconcelos; escritores, como Miguel Sousa Tavares; mas também chefs, como José Avillez; cantores, como Simone de Oliveira e Ana Moura; comediantes, como Bruno Nogueira; pensadores, jornalistas, empresários.

Numa tentativa de compreender Portugal, o seu passado e as expectativas de futuro, a editora Guerra e Paz publicou este livro em outubro, com fotografias de Gonçalo Rosa da Silva.

(Capa da editora Caminho. Montagem: Magda Cruz)

A mais recente obra da jornalista e escritora portuguesa nasce do desafio que Caetano Veloso lhe propôs em julho deste ano: dedicar um livro ao Estado da Bahia, terra onde o músico brasileiro nasceu. Nesse mês, no dia em que se celebraram os 50 anos da ida à Lua, Alexandra começou a escrever. Em novembro já o livro estava nas bancas, de capa amarela, editado pela Editorial Caminho.

A primeira vez que Alexandra Lucas Coelho voou até ao Brasil foi em 1997, enquanto repórter da Antena 1 em Lisboa, para cobrir as histórias paralelas de uma das visitas do Presidente Jorge Sampaio. No livro, escreve: “À Bahia sem dúvida eu ia voltar, essa eu não perderia, então tinha a pressa que sempre tenho. Era um destino.” E assim foi. Tendo o Brasil na sua vida há quase 10 anos, o livro dá conta de todas as “voltas” que Alexandra deu no Brasil.

Esta obra completa a trilogia luso-brasileira de Alexandra Lucas Coelho sobre o Brasil, que começou em 2013 com “Vai, Brasil”, prosseguiu três anos depois com “Deus-Dará”, e conhece o fim este ano com “Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso”. Os dois primeiros livros da trilogia vão ser reeditados pela Caminho no próximo ano.  

(Capa da editora Planeta Tangerina. Montagem: Magda Cruz)

Plasticus Maritimus – Uma espécie invasora

de Ana Pêgo e Isabel Minhós Martins; Ilustração: Bernardo P. Carvalho 

Há uma nova espécie a nadar pelos mares, mas que não é bem-vinda: o plástico. A bióloga marinha portuguesa Ana Pêgo, que tem o hábito de passear nas praias de Cascais em busca de plástico de todos os tamanhos, cores e feitios, juntou-se à Planeta Tangerina, uma editora infanto-juvenil, para falar sobre esta espécie invasora.

Plasticus maritimus, um nome científico inventado, já era um projeto de sensibilização desde 2015. Em março deste ano, tornou-se num livro sobre a relação entre o plástico e os oceanos, que Ana Pêgo escreveu com Isabel Minhós, cofundadora da editora. Concebido com o propósito de levar à mudança de comportamentos, incluiu um guia de campo para as idas à praia, com indicações sobre como colecionar e analisar exemplares desta espécie.

(Capa da editora Companhia das Letras. Montagem: Magda Cruz)

Essa gente

de Chico Buarque

O romance onde é contada a história de um escritor decadente, que enfrenta uma crise financeira e emocional num Rio de Janeiro que colapsa, acabou de chegar às bancas, mas não é a novidade que o qualifica para constar da lista dos livros a destacar este ano.

Chico Buarque, como é conhecido Francisco Buarque de Hollanda, ganhou o mais importante dos prémios lusófonos, o Prémio Camões, em maio deste ano. Autor de obras de grande qualidade em vários géneros literários, como a poesia, a dramaturgia e sobretudo o romance, Chico Buarque vem a Portugal no dia 25 de abril do próximo ano receber o Prémio. Em outubro, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro,​ não via a assinatura do diploma de entrega do Prémio Camões como uma prioridade, adiando-a para um eventual segundo mandato, que terminaria em 2026. A isso, Chico Buarque respondeu: “A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo Prémio Camões”.

Feito o contexto sociopolítico, o livro que tem como protagonista Manuel Duarte – de apelido sonoramente semelhante ao do autor – ganha mais peso. Manuel está encalhado num deserto criativo e sentimental. A história é contada por meio de pequenos capítulos de diário, onde aparecem as várias ex-mulheres, as dívidas, e um filho. Tudo acompanhando a atualidade carioca e brasileira.

O músico e escritor brasileiro tem toda a obra publicada em Portugal pela Companhia das Letras. Fica com a leitura do início do livro, no podcast da editora Companhia das Letras, no Brasil.

Capa: Montagem de Magda Cruz com as capas das respetivas editoras

 

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