Sam The Kid: De Chelas ao Coliseu

É verdade que o hip hop nasceu na rua, mas, graças a Sam The Kid, chegou ao Coliseu dos Recreios. Alguns intitularam este dia como “feriado nacional” para a cultura. Muitos perguntam “Sam, quando deixas de ser The Kid?”. Sem darmos por nada, Sam transformou-se em ‘The King’. 

Se há maneira de festejar os 20 anos de carreira é a encher o Coliseu de Lisboa. À porta estavam dezenas de fãs ansiosos por ouvir ecoar na sala as melhores músicas de um dos pais do hip hop em Portugal.

Prontos para o concerto, ouvem-se as palmas, os assobios e as conversas entre amigos, prontos para o concerto. Tudo isso dá lugar ao silêncio assim que Napoleão Mira começa a declamar “Santiago Maior”. O pai de Samuel abriu o concerto e tocou nos corações de todos aqueles que o ouviram.

E só quem lá esteve é que consegue reconhecer que se tratou de mais do que um concerto. Uma viagem será a melhor forma de designar este momento, pois Sam transportou-nos no tempo. Se as paredes falassem, contariam hoje as histórias do público, que, com as mãos na cabeça, festejou em conjunto.

Como estamos numa fase em que o visual é importante, Sam brindou o público com vídeos e fotografias antigas, e também se lembrou do já falecido rapper e amigo Snake OG. O rapper despiu-se de qualquer imagem criada, para partilhar com o público momentos e detalhes da sua vida e obra.

Independentemente do sucesso de algumas músicas, Samuel escolheu cantar aquelas de que mais gosta, algumas delas pela primeira vez. Rúben Fernandes, autor de um podcast de hip hop, relembra que “a fase inicial em que o Sam se emociona e quase chora é mesmo o momento mais marcante do concerto. Foi a perfeita antevisão daquilo que estava para vir e marcou o tom para a intimidade que se sentiu entre artista e plateia ao longo de todo o espetáculo”.

Além de rapper, Sam tem vindo a revelar-se um excelente produtor e, porque hip hop são quatro vertentes – o graffiti, a produção/masterização musical, o rap e o breakdance – a sua MPC, um sampler que Sam The Kid costuma usar para produzir batidas, não poderia faltar. Numa altura em que o hip hop é cada vez mais ouvido, Rúben também observa que “para termos uma verdadeira identidade, algo que é tão importante nesta cultura, temos de saber muito bem o sítio de onde viemos”. Talvez por isso Sam tenha trazido a cadeira do seu quarto “mágico”, o que nos fez sentir em casa. No fundo, o público teve direito a acompanhar alguns passos na vida de Samuel resumidos em duas horas.

Logo quando acabou, apercebemo-nos de que este concerto ficará para sempre na história do hip hop em Portugal. Foi um concerto “E. S. P. E. C. I. A. L.”, como prometem ser os próximos álbuns. Samuel estabeleceu o propósito de, reunidos todos os álbuns que lançou e que vai lançar, fazer com que as iniciais dos respetivos títulos componham esta palavra.

Artigo escrito por: Marta Laranjeira e Tomás Lampreia

Fotografias: (João Pedro Morais/musicfest.pt)

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