Sofia Afonso Ferreira: “Uma candidatura de protesto”

Sofia Afonso Ferreira é a candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa pelo movimento “Nós, Cidadãos!”. Este partido tem estreia nestas eleições autárquicas. A candidatura foi apresentada no dia 31 de março de 2021, com o lema “Recuperar Lisboa”.

A candidata nasceu em Lisboa e vive no centro da capital. Estudou Design, dedicou-se à área da Comunicação e é colunista regular em alguns jornais. Considera-se uma pessoa “direta, prática e sem paninhos quentes”.

Começou como apoiante do PSD e manteve-se no partido durante vinte anos. “Considero-me de direita e liberal”, afirma. Em 2018, foi co-fundadora do movimento cívico “Democracia21”. Como representante deste movimento, Sofia Ferreira integrou a coligação “Basta” nas últimas eleições europeias, numa lista liderada pelo líder do partido Chega, André Ventura. Essa coligação não chegou a eleger qualquer deputado.

Sofia Afonso Ferreira já participou nas eleições legislativas de 2019, como independente na lista do Partido Popular Monárquico (PPM), mas também nenhum deputado foi eleito. Em novembro de 2020 foi eleita vice-presidente do “Nós, Cidadãos!”, no congresso em Portalegre.

Uma das razões que levaram a candidata a querer formar um partido novo foi a falta de abertura que, na opinião dela, os outros partidos têm em relação a diversos temas. “Há questões que partidos como o PS ou o PSD não têm muita disponibilidade para resolver.”, afirma Sofia Afonso Ferreira que ao mesmo tempo insiste: “Um grupo de cidadãos pode concorrer sem precisar de estar num partido”.

Os principais problemas que a candidata aponta são o da corrupção e o da habitação. “Temos problemas graves de corrupção; de contratos que deixam muito por dizer, de uma Câmara Municipal cheia de ajustes diretos e de muito despesismo”, refere. Quanto ao problema da habitação, Sofia Afonso Ferreira comenta: “Parece-me difícil resolver isso quando não temos “a casa limpa” no departamento do urbanismo. Devia haver uma investigação séria.”

A candidata Sofia Ferreira diz que a criação da nova linha circular de Lisboa é uma das obras que contesta.

Sobre as ciclovias, Sofia Afonso Ferreira reconhece estar dividida. Por um lado está a favor – devido à diminuição da poluição do ar na cidade –, por outro, é contra o “número de obras [de construção] de ciclovias”. Admite que não faz sentido existirem certos percursos: “deram cabo da vida das pessoas – desde o comércio até aos moradores – e piorou bastante o trânsito.”

A candidata aponta ainda um problema que não vê discutido pelos outros candidatos. “Cada um dos paquetes que está atracado em Lisboa equivale em cada noite ao dano ambiental dos 350 mil carros que entravam em Lisboa, antes da pandemia. Os habitantes estão com uma qualidade de ar muito pior”, afirma a candidata. Por isso e para cuidar este problema climático, Sofia Afonso Ferreira propõe a diminuição da quantidade de navios ou que o terminal seja “adaptado às exigências atuais”.

Dos doze candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, apenas quatro são mulheres. Ainda faltam mulheres na política e não só: “O problema não é só na política. É geral. Hoje temos mais mulheres licenciadas, mas elas não estão representadas nos lugares cimeiros das empresas e nos lugares de decisão.”

Sofia Afonso queixa-se por os partidos que não têm assento parlamentar “não terem o mesmo tempo de antena” que os outros: “só quem está na Câmara é que debate”.

Reconhece ser muito complicado poder vir a ganhar as eleições: “É difícil um partido pequeno competir com o PS ou com o PSD. Eles têm uma “máquina”, em termos financeiros, para protagonizar uma campanha. Eu sabia desde o início que ia ser uma candidatura mais de protesto e para trazer certos assuntos a debate.”

Sofia Afonso Ferreira afirma que a candidatura dela pretende servir para que temas como os problemas climáticos e de habitação sejam abordados na campanha. Expressa o desejo de que, no próximo mandato, os autarcas eleitos possam olhar com mais atenção para esses problemas.

 

Revisto por Andreia Custódio.

Capa: fotografia cedida pela entrevistada.

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