Testemunho de uma Benfica de outrora

Por Cristina Pacheco

Quem hoje olhar para Benfica encontrará uma paisagem predominantemente urbana, dominada por edifícios altos e cinzentos, com exceção do “pulmão de Lisboa”, o Parque Florestal de Monsanto.

Mas, não há muitas décadas, esta freguesia tinha uma característica muito especial que a distinguia das restantes da capital: era uma zona verde, uma zona de veraneio onde as classes mais abastadas construíram as suas quintas a partir do século XVIII.

A Vila Ana (a da direita) e a Vila Ventura (a da esquerda), n.º 674 da Estrada de Benfica, do lado direito de quem se dirige no sentido das Portas de Benfica, são dos últimos testemunhos históricos e arquitetónicos das muitas casas apalaçadas que faziam da freguesia uma forte atração há três séculos. Os seus nomes foram uma homenagem de D. Maria Gertrudes da Conceição Macedo de Barros – a mulher que em 1890 as mandou construir – aos seus pais, D. Ana Rita Pereira e Sr. Ventura Luís de Macedo, portugueses que tinham vivido no Brasil.

Entretanto, personalidades da recente história portuguesa – o general Spínola e o escritor Luiz Pacheco – viveram na Vila Ana.

Dispostas de forma simétrica, são muito semelhantes entre si e encontram-se rodeadas por edifícios mais modernos, descaracterizados, que contrastam brutalmente com a sua arquitetura.

Protegidas por um muro com uma vedação de ferro forjado, este testemunho de uma época tão marcante na história de Benfica encontra-se bastante degradado, apesar de estar inscrito no “Inventário Municipal de Património”, da responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa. Já foram criadas petições e uma ação de nome “Movimento de Cidadãos pela Preservação da Vila Ana e da Vila Ventura” com o intuito de as manter e preservar, sendo que a própria Câmara Municipal emitiu, em 2016, um comunicado a informar que entrariam em curso obras de reabilitação destas vilas.

Quanto à sua reabilitação, não se observaram grandes avanços. O futuro das vilas é incerto.

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