Tiago Matos Gomes: Os ideais europeístas na política local

Tiago Matos Gomes é o candidato do Volt à Câmara Municipal de Lisboa e parte para o ato eleitoral com a missão de apresentar aos portugueses o partido que, nas palavras do próprio “não é só política, representa também um projeto de futuro”.

Surgido em 2017, num movimento de reação ao Brexit, o Volt é um partido pan-europeu, presente já em 30 países. Defende um modelo de união de Estados Federalistas para a União Europeia. Em 2020, foi consumada a criação do Volt Portugal, que, nestas eleições autárquicas, vai pela primeira vez às urnas em território nacional.

Numa fase de surgimento de um partido novo, e juntando o facto de ter um cariz europeu, importa perceber de que forma se movimentam para passar a mensagem. Todas as semanas, membros do Volt escolhem um dia fixo para se reunirem num determinado ponto do país e discutirem temas relacionados, geralmente, com o partido. O 8.ª Colina foi a um desses encontros, realizado na esplanada de um quiosque na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

Num ambiente descontraído, um grupo superior à dezena de pessoas fala sobre as vantagens no modelo de funcionamento do partido. Os presentes destacam a não eleição de um presidente, mas de co-presidentes, sempre com paridade de género. Recordam com alegria o momento em que o partido elegeu alemão Damian Boeselager, nas eleições europeias de 2019 – até agora, o único deputado europeu que possuem. Referem também a assembleia-geral do partido, que terá lugar em Portugal no mês de outubro e que esperam que esta traga à cidade de Lisboa milhares de membros do partido.

Entre os presentes no encontro, estava Mateus Carvalho, vice-presidente do Volt Portugal, que enfatizou a importância de, nesta luta autárquica, apresentar propostas que tenham ligação direta à vida das pessoas, mas que incorporem sempre a narrativa europeia, que é a identidade do partido. Na cidade de Lisboa, os membros do partido mostram-se confiantes na prestação do candidato Tiago Matos Gomes.

Nascido no Chiado em 1975, Tiago Matos Gomes teve, desde cedo, uma consciência política presente. Contudo, antes de chegar ativamente ao mundo da política, o candidato à Câmara de Lisboa teve um passado no jornalismo. Após licenciar-se em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, Tiago Matos Gomes trabalhou 19 anos no Diário de Notícias. Em declarações ao 8.ª Colina, fala sobre a utilidade das aprendizagens do jornalismo para a sua vida política atual: “No jornalismo escrito e na rádio também, o poder de síntese é essencial e, tal como na política, é importante conseguirmos passar uma mensagem de forma simples e direta”.

A política que defende está associada aos ideais europeístas. Viveu os três anos do ensino secundário em Bruxelas, onde frequentou a Escola Europeia. A estadia neste país estrangeiro e o envolvimento com as múltiplas nacionalidades europeias reforçaram a importância de uma Europa unida para Tiago Matos Gomes. Nas aulas, sentou-se ao lado de holandeses, alemães, franceses, italianos e recorda um episódio em particular: “Numa aula de História, o professor estava a ensinar a II Guerra Mundial. De um lado estavam alunos franceses, cujos avós tinham pertencido à Resistência Francesa, e do outro alunos alemães, netos de antigos membros do Exército Nazi. Passados 50 anos, estávamos todos na mesma sala”.

Após regressar da capital belga, filiou-se na Juventude Socialista (JS), tendo participado ativamente na campanha de António Guterres em 1995. No ano de 2002, acabou por deixar o partido. Enquanto jornalista continuou a defender o conceito de europeísmo e fez parte de vários movimentos ligados à União Europeia. Agora, a sua principal missão é trazer a Europa para as autárquicas e aplicar na cidade de Lisboa as boas práticas executadas noutros países europeus.

Nesta luta eleitoral, Tiago Matos Gomes promete lutar por uma mudança de paradigma. Um dos campos nos quais quer que essa mudança se faça sentir é, diz, no da mobilidade no interior da cidade de Lisboa: “Queremos mudar esta cidade muito voltada para o automóvel; queremos transformar Lisboa e o centro da cidade para que possa ser vivenciado de uma outra forma – a pé, através de meios de mobilidade suave.” O candidato também identifica a necessidade de intervir habitação, pois tanto a perda de habitantes, como a falta de residências para os jovens universitários são questões cuja resolução classifica como fundamental: “Outra das medidas é a construção das residências universitárias. No discurso do primeiro congresso do partido, mencionei que era inadmissível alguém deixar de estudar porque os pais não conseguem pagar a renda de um quarto em Lisboa ou nos arredores. Não podemos perder a qualificação da nossa juventude.”

O problema das alterações climáticas é um ponto que a candidatura do VOLT não descura, de todo, pelo que propostas como o aumento da rede de ciclovias e a melhoria das condições dos transportes públicos são também medidas que constam do programa eleitoral do partido.

Para o futuro, o VOLT ambiciona a entrada de um deputado na Assembleia da República nas eleições legislativas de 2023. Por agora, o objetivo nesta primeira participação eleitoral do partido em Portugal passa por “apresentar aos portugueses os ideais europeístas do VOLT, aplicados às questões do dia a dia”.

Foto de capa cedida pelo entrevistado

Revisto por Inês Monteiro

Scroll to Top
0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap