Treze anos de Noiserv

(José Sena Goulão/EPA)

O ano de 2018 foi repleto de excelentes eventos, mas quando se fala do concerto do ano é impossível não referir o de David Santos, mais conhecido por Noiserv, que conta já com 13 anos de carreira

Se o nome te é familiar, David Santos foi quem compôs a música original para a nova imagem da RTP1. Podes facilmente ouvi-la assim que acedes ao canal televisivo, em cada separador que surge.

Mas este é apenas um dos inúmeros elementos que fazem parte do currículo bem-sucedido de Noiserv – um dos mais criativos e estimulantes projetos musicais que tiveram início na última década, em Portugal.

Há quem o compare a Pessoa, não só pela dimensão onírica que transmite através da música, mas também pela sua capacidade de condensar tantos instrumentos, com as suas distintas “personalidades”, numa só pessoa. É graças a isso que muitos já o chamam “homem-orquestra” ou, por outras palavras, “banda de um homem só.”

Para celebrar o 13º aniversário de uma carreira já repleta de excelentes conquistas, decidiu organizar dois concertos e o Oitava Colina teve a oportunidade de presenciar um deles.

O primeiro concerto tomou lugar em Lisboa, no Teatro Tivoli BBVA, e aconteceu no dia 5 de abril. Já o segundo, foi acolhido pelo povo portuense, seis dias depois.

Assim que se entra, a maneira como todos os instrumentos estão expostos no palco deixa qualquer um intrigado, em especial quem nunca experienciou um concerto deste músico português. Uma espécie de suspense instala-se e todos aguardam que o artista resolva aparecer.

Sem qualquer suspeita, David Santos confirma a sua presença assim que caminha para o palco. No entanto, em vez de se sentar e preparar para tocar, agarra num carrinho de brincar, que funciona ao se puxar uma corda, e põe-no a andar. Nesse momento, ouve-se uma leve melodia e, inusitadamente, as pessoas apercebem-se de que é uma pequena introdução quase nostálgica ao primeiro tema tocado.

David Santos é mais conhecido pelo seu nome artístico “Noiserv” (José Sena Goulão/EPA)

David Santos, antes de cada música, faz questão de dar o contexto sobre o que o levou a escrever e compor os seus temas, por vezes com piadas secas bem sucedidas e discursos filosóficos pelo meio. Insiste em fazê-lo em todos os concertos e é isso que os torna tão especiais.

Podemos ilustrar metaforicamente este evento como nostalgia pura. Como se, repentinamente, todas as memórias que guardamos com tanto carinho nos ressurgissem à alma e passássemos a vivê-las com tanta ou mais intensidade, a cada música tocada. É, decerto, uma viagem emocional e espiritual.

Passados 13 anos, o projeto persiste e existe com a mesma genuinidade, amor e humildade e toda a audiência sente isso. É por este motivo que foi, sem dúvida, o concerto do ano.

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