Um 112 para uma refeição de sobrevivência

No início do ano passado, seriam umas 30 a 40 pessoas.
Agora, são mais de 150.
Juntam-se todas as noites em volta de uma palmeira numa esquina do parque de estacionamento de automóveis ao lado do ministério das Finanças, no Campo das Cebolas, na baixa de Lisboa. Começam a juntar-se ali a partir das seis da tarde, coincide com a hora a que saem os carros que durante o dia enchem o parque.
São pessoas em estado de emergência – estão sem emprego, sem rendimentos, falta-lhes quase tudo. Há gente que não tem tecto, há quem tenha casa mas que deixou de conseguir pagar as contas da luz, que foi cortada. Há gente que há um ou dois anos, quando ainda tinha trabalho, vivia com conforto básico. Há quem conte que “até tinha Sport TV”. Veio o desemprego e foi-se tudo.
Por volta das 8 da noite chega a carrinha dos voluntários do CASA, Centro de Apoio aos Sem Abrigo. Trazem uma refeição quente, sandes, bebidas, peças de fruta. Muitos dos alimentos foram recolhidos em restaurantes mobilizados para ajudar.
Há um prato para cada pessoa. Para todas as pessoas que ali estão porque precisam. É o alimento diário para muitos que continuam a ter vergonha de ir às cantinas sociais. Ali, no Campo das Cebolas, a escuridão ajuda a esconder o rosto.
Os voluntários do CASA também trazem roupa, mantas, cobertores e produtos higiénicos de primeira necessidade. E também o carinho para ouvir os que se dispõem a desabafar e para, com cada pessoa, procurar algum caminho para que a vida possa tomar algum sentido que inclua esperança.

Ouvir a reportagem: 112 para um prato de comida
Por Ana Catarina Gaboleiro

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