Uma facada político-social: Quem é Jair “Benito” Bolsonaro?

O candidato da extrema-direita tem 35% das intenções de voto e pode ser eleito já este domingo. Criado no seio militar e dono de opiniões pouco consensuais, Jair Bolsonaro é o rosto do populismo brasileiro.

Jair Messias Bolsonaro é um fenómeno. Porquê? Porque é um candidato de extrema-direita no Brasil, país de tradição socialista-liberal. Todavia, para o povo brasileiro, a posição do candidato no espetro político pouco importa – os votos regem-se pelas caras, pelo discurso, pelo nome: ao estilo das motivações de voto numa autarquia.

Carlos Oliveira, defensor da tese “As ideologias políticas no Brasil e implicações no quotidiano político do eleitorado”, afirma que o povo brasileiro “não quer saber” em que posição ideológica se encontra o candidato. Isto porque a maior parte da população não entende “as diferenças complexas entre esquerda e direita”, acabando por se ficarem pelos estereótipos de esquerda que “está contra o governo e de direita que apoia o governo”. Há um desconhecimento geral de que um dos candidatos à presidência tem um passado inteiramente ligado ao conservadorismo e nacionalismo que, na teoria, é a ideologia oposta àquela que tem sido praticada em anos anteriores.

A maioria do povo brasileiro não sabe a diferença entre esquerda e direita

Num país onde existem cerca de 12 milhões de analfabetos (7,2% da população) e cerca de 25 milhões de jovens (dos 14 aos 29 anos) não estão a estudar, segundo resultados de um estudo de 2016 conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é natural que não haja um conhecimento pleno de política. Não é escândalo nenhum que muitos brasileiros se posicionem politicamente de forma pouco coerente, consciente e sustentada.

Voltando ao fenómeno: Jair Bolsonaro nasceu a 21 de março de 1955, em Glicério, uma microrregião que fica perto de São Paulo, uma verdadeira terra do noroeste, de fertilidade e de ranchos.

Bolsonaro deu os seus primeiros passos na vida militar no ano de 1977, quando se formou na Academia Militar das Agulhas Negras, após o primeiro contacto com as formaturas e as continências na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

Um homem que, embora ambicioso e com sede de se realizar financeira e economicamente, acabou por ser preso em 1986 – por ter escrito um artigo em forma de protesto pelos baixos salários dos cadetes. Incendiou todo o 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, onde servia como capitão, e os seus superiores não o perdoaram.

O regressista Bolsonaro acabou por se fazer notar de forma pouco cautelosa. Ao jeito clássico de populista defendeu várias vezes a tortura como uma prática legítima e já se insurgiu contra as minorias. Jair Bolsonaro já condenou múltiplas vezes a homossexualidade. Uma delas ganhou uma vasta proporção há 7 anos. Em entrevista à revista Playboy, em junho de 2011, Jair afirmou que prefere um filho morto a um herdeiro homossexual, acrescentando ainda que ser vizinho de um casal homossexual é motivo de desvalorização de imóvel.

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente.”

Numa fase em que as eleições estão praticamente a começar, com 35% nas intenções de voto, Bolsonaro parece estar a passar a perna ao seu rival direto, Fernando Haddad, com 22% nas sondagens. É já este domingo que o povo brasileiro pode ter de aclamar aquele que é visto pelo jornal The Guardian como “pior que Trump” e “um perigo”. O homem que tem como prioridade inaugurar um colégio militar em cada capital do Brasil está a um passo do poder, está a um estádio de marcar a América Latina e de dar uma facada político-social no coração brasileiro.

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