Venezuela: três futuros possíveis num país sem rumo

Há um ano, o 8ª Colina falava de uma Venezuela pobre, degradada e instável. Neste ano de 2019, muito aconteceu, mas pouco mudou para a população. Para o futuro, há três possibilidades.

Antes de olhar para o que aí vem, vamos recapitular: não tinha acabado a primeira quinzena do ano e a presidência venezuelana já estava em tumulto. No dia 10 de janeiro, Nicolas Maduro fazia o juramento que dava início ao seu segundo mandato enquanto chefe de Estado. Minutos depois, a Organização dos Estados Americanos (OAS), orgão de cooperação entre todos os estados do Continente Americano, manifestava-se contra o presidente. É aqui que surge Juan Gaidó, líder da oposição e presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, o principal instrumento estatal do país fora do controlo de Maduro.

Guaidó chamou a Maduro “usurpador” e apelou a uma marcha popular no dia 23 de janeiro. Sem aviso prévio, autoproclamou-se presidente interino da Venezuela, e o mundo dividiu-se: uns apoiavam Maduro, que havia sido eleito nas eleições de novembro de 2018 (ainda que sob condições duvidosas); outros apoiavam Guaidó, que se proclamara presidente à margem da lei nacional. E isto foi só no primeiro mês do ano. Nos restantes onze, houve tudo: confrontos na rua, detenções de Guaidó e seus apoiantes, escândalos de corrupção…

Em julho, um comité norueguês tentou reunir representantes de Guaidó e de Maduro em Barbados, de modo a mediar conversações e chegar a um consenso. Em agosto, a administração de Maduro cancelou estas negociações, exacerbando o conflito interno.

Hoje, o apoio a Guaidó está a baixar e Maduro continua no poder. As sanções internacionais à Venezuela não afastaram o socialista. A situação nas ruas continua a ser de miséria e pobreza – a “dieta Maduro”, nome dado à situação de falta de alimentos e bens essenciais no país, continua a vigorar.

Qual o futuro para o país, depois de um ano em que tanto aconteceu, mas pouco mudou? “Há três situações possíveis”, afirma Duarte Marçal, aluno de Mestrado na Faculdade de Direito de Lisboa e militante do Partido Socialista. No primeiro cenário, “Maduro cai, Guaidó ganha, existe liberalização dos mercados, investimento, austeridade e intervenções económicas dos EUA, eventualmente do Brasil e do FMI”. Em alternativa, “o regime mantém-se com Maduro e a crise aprofunda-se, o sistema político fecha-se no autoritarismo, com uma nova cara, mas resultados parecidos”. Finalmente, no terceiro cenário, “há uma guerra civil, com a estrutura de uma guerra por procuração, e provavelmente os EUA ganham, se bem que o vencedor vença sobre cinzas”.

São três futuros possíveis, num presente que parece cada vez mais impossível de remediar para a população venezuelana.

Fotografia de capa:  Leonardo Munoz / EPA

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