Vinte anos de um Nobel

As efemérides assinalam eventos importantes. Este ano marca a passagem de 20 anos desde a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a um português. Muitas foram as maneiras de celebrar Saramago

José Saramago ainda detém o título de único português galardoado a este nível. Este ano, 2018, celebram-se duas décadas desde que Saramago voltava sozinho de uma feira do livro em Frankfurt, prestes a embarcar num avião com destino a Lanzarote, quando recebe a notícia de que a Academia Sueca lhe havia atribuído o Prémio Nobel de Literatura daquele ano.

Saramago tinha 76 anos quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura. (Mário Cruz/LUSA)

Com o objetivo de assinalar a data, várias iniciativas foram organizadas, tanto em Portugal, como noutras partes do mundo, como Espanha, México e Brasil, uma vez que a obra de Saramago está consagrada mundialmente.

As homenagens começaram em Coimbra, no “Congresso Internacional José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobel”. Seguiu-se a visita do primeiro-ministro, António Costa, a vários locais que marcaram Saramago, como Lanzarote, Azinhaga e Lisboa. As celebrações continuaram com a leitura ininterrupta do livro “Todos os nomes”, no Teatro D. Maria II. Mais recentemente, Saramago teve até direito a que uma sinfonia lhe fosse dedicada – “Memorial”, de António Pinho Vargas, um concerto de celebração, que contou com a Orquestra Metropolitana de Lisboa para traduzir, de palavras para notas musicais, algumas das metáforas dos seus livros “Ensaio sobre a Cegueira” e “Ensaio sobre a Lucidez”. Uma das homenagens ficou perto da sede da Fundação. Aliás, mesmo junto à Casa dos Bicos. O popularmente conhecido Campo das Cebolas passou a ser Largo José Saramago.

Ainda por acontecer está a leitura obra “História do cerco de Lisboa”, de Saramago, no Castelo de São Jorge, dia 2 de dezembro, 6 de janeiro e 3 de fevereiro de 2019.

A Fundação José Saramago, mais conhecido como Casa dos Bicos, fica no recentemente batizado Largo José Saramago. (INÁCIO ROSA/LUSA)

Para marcar a data redonda, muitos livros foram publicados e o próprio Saramago deu o mote. Oito anos após o seu falecimento, é publicado o livro “Último caderno de Lanzarote”, o diário que manteve em 1998, ano em que recebe o Nobel.

“Um país levantado em alegria”, de Ricardo Viel, é outra das publicações. Esta debruça-se sobre todo o percurso da atribuição do Prémio a Saramago, numa perspetiva jornalística. O livro do diretor de comunicação da Fundação José Saramago é publicado exatamente no dia do anúncio do vencedor: dia 8 de outubro. Ambos os livros estão editados pela Porto Editora e podem ser comprados em conjunto, numa caixa comemorativa.

Muita mais literatura surgiu. “Por Saramago”, de Anabela Mota Ribeiro, é um livro composto por duas entrevistas feitas ao escritor, uma outra a Pilar del Río, dois textos que evocam Saramago e ainda um posfácio de Fernando Gómez Aguilera – tudo acompanhado de fotografias a preto-e-branco de Estelle Valente.

Também surgiram algumas biografias nas livrarias, como “Rota de Vida”, de Joaquim Vieira, que escreveu as biografias de Mário Soares e Francisco Pinto Balsemão.

Podes ouvir a entrevista a Ricardo Viel, no programa “Ponto final, parágrafo”, da ESCS FM, onde fala do seu livro “Um país levantado em alegria” e do brilhantismo de Saramago.

Nas escadas da Fundação podemos ler: “Humildade orgulhosa, e obstinada, esta de querer saber para que irão servir os livros que andamos a escrever.” Todo o uso que lhes podemos dar parte de um gesto simples: ler. Entre narrativas em prosa, poemas, ensaios, contos e peças de teatro, o autor trouxe ao mundo mais de 40 obras.

O livro mais conhecido é “Memorial do Convento”, um romance em tempos de Inquisição e uma viagem pelos céus, que mistura imaginação com história e que tem como personagens principais Blimunda e Baltazar. Também poderá folhear “As intermitências da morte”, “A jangada de pedra”, “Os poemas possíveis” e “A viagem do elefante”.

Este será o expoente máximo da literatura portuguesa até se chegar a outro número redondo ou até que outro português seja galardoado. Em Memorial do Convento, Saramago escreve: “não somos nada neste mundo, e quanto temos cá fica.” Esta é uma mensagem de um homem que não morrerá e que viverá pelas suas obras. 

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