Viver e crescer numa colónia de férias

Reunião antes do almoço na Colónia de Férias © Junta de Freguesia de São Domingos Benfica

São oito da manhã de um gelado começo de primavera. Aos poucos, vêem-se os primeiros jovens a emergirem de tendas plantadas na relva molhada. Enrolados nas mantas, absorvidos em capuzes, revelam maior coragem que aqueles, que ainda na esperança de relaxar mais uma mísera hora, apenas espreitam para fora da tenda. Naquele espaço de cinco metros quadrados tinham pernoitado pessoas que não eram mais que colegas de formação, muitas delas só apresentadas a umas horas de distância.

– Estamos na formação… Na colónia vai ser bem pior –, alarmava-se num megafone. Solicitava-se aos futuros monitores que se apressassem a tomar os cerais com leite contidos em copos de plástico expostos numa távola de pedra improvisada. Minutos depois ser-lhes-ia incumbida a tarefa de amarrotar dezenas de tendas para as recolocarem nos respectivos sacos, ao que se seguiria uma expedição de escalada e subida às árvores para um percurso de arborismo. Já havia quem não resistisse ao pânico das alturas, abanando freneticamente a cabeça quando colocados os arneses. Ainda no solo a pergunta era simples: – Nós vamos ser monitores. Porquê subirmos a árvores se a nossa função será zelar pela segurança deles cá em baixo?

– Porque vocês precisam de saber o que a criança está a sentir para a poderem ajudar – elucida o formador.

A criança está no centro de uma colónia de férias. O monitor, esse, passa com elas várias das nove horas mais animadas do seu Verão. Depois de uma formação em primeiros socorros, experiência em actividades radicais ou aprendizagem em modelagem de balões, pouca da teoria importa quando catorze crianças de nove anos são distribuídas por dois monitores, cada um com uma função diferente, como confirma António Martins, monitor de campos de férias há quatro anos: “Cada monitor tem o seu papel. O meu papel é ser mais animador, enquanto há outros que são melhores na responsabilidade, fazendo o chamado trabalho invisível. Claro que isso não significa que não coloquemos as crianças na linha quando é preciso. As crianças não têm é culpa de serem crianças. Elas estão no centro e devem ser cativadas pelo seu monitor”.

O dia 1 de uma colónia marca o princípio de uma descoberta mútua: as crianças conhecem o seu monitor, devem ser informados das regras a cumprir e, posto isto, iniciam a interacção com os amigos da escola ou do bairro onde habitam. O monitor, num ápice, deve perceber quem são os elementos mais introvertidos e extrovertidos, entender se existem discórdias entre elementos e, a partir daí, proceder à primeira marca identitária de um colectivo: o seu nome. Conseguir unir um conjunto de personalidades e feitios nunca será fácil, nem um processo adquirido. Existem avanços e recuos e nada melhor que as dinâmicas de grupo para o fomentar, como constata Joana Silva, coordenadora da colónia aberta de Benfica há cinco anos: “Temos uma variedade de jogos e actividades que fazem com que as crianças queiram voltar. Os mais competitivos vêem com bons olhos as disputas que incentivamos e os tímidos, em poucos anos, tornaram-se pequenos reguilas. Não se nota uma evolução em quinze dias, mas passados cinco anos em Benfica as diferenças são incríveis. Até já vêm ter connosco mesmo quando não estão inscritos naquele turno”.

O primeiro dia implica o estabelecimento de ordem nos autocarros. Mais novos à frente, mais velhos atrás, com os cintos colocados tudo fica pronto para o incentivo à cantoria, à palhaçada dançarina de monitores espalhados pelo transporte: uns disfarçados com véus, óculos de sol e microfones improvisados; outros, ocasionalmente, a tombar para cima das suas crianças procurando a participação colectiva – mesmo que a polícia recomende o prezo ao assento –, num estímulo essencial para a dinâmica que se tentará incutir no restante dia. Às nove horas já o autocarro está na emergência de estacionar em Carcavelos. As crianças saem grupo a grupo, organizadas por idades, os mais velhos apetrechados com as caixas de pequeno-almoço e com os guarda-sóis coloridos nos ombros. Aconselha a prudência a colocação de um monitor à frente do grupo, sempre observando ocasionalmente a sua retaguarda, e outro a fechar a fila, certificando-se que ninguém fica para trás. De roda montada na areia, as cores dos chapéus e pulseiras identificam o grupo. O protector solar não tarda em sair das caixas de primeiros-socorros – equipada com os recursos necessários para sarar pequenos acidentes – e é prontamente colocado quando as crianças retiram as t-shirts. Avisa a prática que a primeira actividade de colónia possa ser um estímulo de conhecimento tanto de monitores como de utentes. Assim, num círculo vêem-se crianças a apresentarem-se com um gesto à sua escolha. Bicicletas e mergulhos na areia de uns, mas a vergonha de outros leva o monitor a chegar-se à frente e ridicularizar-se de forma a facilitar a integração da criança mais introvertida. Dez minutos depois já é possível observar a diferença entre grupos que ganharam tempo a conhecer-se e outros que se ficaram pelos baldes de areia.

Ao longe já se ouve a euforia de dezenas de filas a pares a invadirem a última linha de areal de Carcavelos. Enquanto descolam foguetes e se batem palmas a compasso, grita-se em uníssono: – Queremos ir ao banho! Os destemidos, esses, entram no trépido mar. Mergulham para aquecer, agarram os pulsos dos colegas, desenhando com os corpos uma caixa de onde nenhuma criança deve sair. Virando as costas ao mar, ignorando ondas maiores que a sua altura, limitam-se a esperar que a força dos braços do cordão evite que os tornozelos se desloquem mais de três passos. Os olhos não fecham, o sal não entra e a música de colónia não pode parar. O frio ajuda, obriga-os a dançar, a mexer freneticamente à espera que os quinze minutos avancem tão mais celeremente. E eles passam. Passam sempre.

Com o grupo reunido, é hora de reforço de pequeno-almoço e de protector solar. Seguidamente, principiará a primeira de muitas batalhas pelo título de reis da colónia: uma coreografia de esculturas inspiradas nos hobbies individuais. “Uma rivalidade positiva com os outros grupos alimenta o espírito de identidade. Estamos ao lado deles e ajudamo-los a quebrar barreiras”, explica António, posteriormente a conceder pontos para os grupos entusiastas na canção do frango Ernesto.

A manhã do primeiro dia é a gota no oceano do que o mar lhes terá para oferecer. O programa contará com surf, paddle surf, bodyboard, canoagem e jogos aquáticos, cada um dos quais feito duas vezes, sempre realizados com o auxílio dos monitores – formados para tal – e de instrutores especializados. Cláudia Gil, coordenadora e uma das mulheres-forte da Associação Jovens Seguros – monitora até desde a sua génese –, reitera o valor acrescentado da aventura: “Ir à praia, ao planetário e ao museu, as crianças fazem com a escola. É imperativo ter programas diferenciadores. Isso começa a notar-se até nos CAF (comente de apoio à família, a proscrita designação para ATL) onde as crianças já não ficam só a fazer desenhos numa sala. Agradam aos pais programas que as levem a fazer paddle surf numa piscina, desporto num sítio onde nunca foram”.

O próximo passo será encaminhar os utentes de volta ao autocarro e seguirem para um espaço verde onde irão almoçar e passar a tarde. O monitor rapidamente disponibilizará o pão, a fruta, a água e o conduto numa roda à volta de uma mesa de madeira ou de toalhas improvisadas no solo. Quanto mais rápido terminarem, mais rápido terão a meia hora de brincadeira livre. Dividindo o grupo, um dos dois monitores acompanha os mais despachados, enquanto o outro zela pelo reforço da alimentação dos mais lentos. A brincadeira livre durante toda uma tarde é um dos apanágios de colónias de férias sem programação definida. São os utentes que escolhem os sítios onde se querem divertir e ali permanecem, muitas vezes, sem a observação do monitor e em permanente onda de conflito. Na associação ocupacional Jovens Seguros, instituição dedicada às actividades de campos de férias sazonais e tempos livres diários, todas as crianças e adolescentes sabem que a cada dia vão ser postos à prova com uma tarefa que ponha em teste a liderança e a força do seu grupo. É nesse âmbito que a rivalidade é muito mais que uma batalha pelo melhor escorrega. Torna-se numa corrida diária para se assumirem como o melhor grupo da colónia. Em actividades como o Score 100 – para ganhar (mas também perder) pontos, os jovens devem efectuar variadas dinâmicas e técnicas de superação colectiva – ou no alucinante Ataque ao Castelo onde duas equipas se digladiam pelo furto da bandeira do rival. Pedro Maia, de 12 anos, utente habitual da colónia de férias de Alcântara, sintetiza: “Este ano com os jogos todos que tínhamos para fazer foi muito mais divertido. O ano passado nem relação tínhamos com a coordenadora”.

Grande parte das colónias ganharam visibilidade com a expansão do programa Praia Campo, iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa que visava disponibilizar uma experiência dual de colónia de férias: a praia e o campo/parques e museus que se visitavam. A designação foi extinta em 2013, levando a que muitas das freguesias de Lisboa procurassem solução para os seus utentes mais jovens. Nesse sentido, a opção estava entre assumir individualmente organização de uma colónia ou recorrer a associações experientes e multifacetadas, criadoras de programações pré-definidas de monitores, actividades e locais a visitar. Apesar de dispersos por idades, não raras vezes um monitor fica responsável por um grupo cujo preenchimento vai dos 6 aos 13. Em correrias infindáveis, não só se atinge a diversão por um nome maior que o do grupo, o da freguesia onde estão inseridos, como se responsabilizam os mais velhos no papel de líderes. O monitor, esse, ou acompanha grupo, estimulando o desafio e a sintonia na participação de vozes, ou fica a cargo de segurar e dinamizar os postos que as crianças vão alcançando.

Como sempre, as duas horas de actividade voam e o pão e o sumo do lanche rapidamente desaparecem. Para terminar o dia falta a cantoria crescente no autocarro e os momentos de alegria colectiva antes da chegada dos encarregados de educação. Face a alguns complexos contextos familiares, os monitores devem certificar-se de que quem vem buscar a criança faz parte dos registos de uma lista dada pelo encarregado de educação. “Não há nenhum monitor que entregue as crianças a pessoas que não estejam devidamente autorizadas”, reitera a coordenadora Joana Silva.

Alegria de uma tarde no Campo de Férias Jovens Seguros © Jovens Seguros
Alegria de uma tarde no Campo de Férias Jovens Seguros © Jovens Seguros

O dia de acampamento e a aproximação às colónias fechadas: a falsa questão da disciplina

As colónias de Verão organizadas pelas Juntas de Freguesia de Lisboa primam pela manhã passada na praia e por uma tarde desportiva ou direccionada para uma visita a um museu, ao Jardim Zoológico ou Oceanário, entregando as crianças por volta das 17h30. A Jovens Seguros, além de apostar em actividades dentro da freguesia, jogos que obriguem a interagir com a população local, concilia numa colónia aberta a sua experiência de acampamento. Assim, durante o penúltimo dia de colónia os utentes estarão divididos entre carrinhos de rolamentos, slide, escalada e percursos de arborismo, terminando a noite numa tenda que partilharão com os amigos de grupo. Ricardo Marques, um dos fundadores e o líder de referência de programação da Associação Jovens Seguros, explica a génese desde dia radical: “Tínhamos de fazer algo que os nossos concorrentes não arriscassem”. O dia do acampamento é o dia D para a definição de versátil na deontologia de ser monitor: há que montar arneses, vigiar todas as saídas do parque e percorrer milhas a dinamizar e a controlar as actividades que as crianças vão escolhendo. Durante a noite, são impelidos a esconderem-se por todo o parque – fechado desde a hora de jantar para não haver risco de se perderem crianças – no jogo que mais motiva os adolescentes pela possibilidade de encontrarem o seu monitor; ou até descobrir o criminoso que está por detrás de uma história narrada por variados monitores disfarçados de bêbados, reis e princesas várias. Posto isto, e depois de preparar os utentes para a dormida – casas de banho, roupa, ceia – é hora de reunir para discutir as actividades do dia seguinte, antevendo-se já a pernoita numa esteira no solo, mesmo à porta das tendas das crianças do seu grupo. Os monitores devem intercalar o tempo de dormida, de forma a estarem prontos caso alguma criança necessite de algum tipo de assistência. Às sete horas do dia seguinte, divide-se o grupo de forma a garantir apoio nas casas de banho, na distribuição do pequeno-almoço e na arrumação de tendas e pertences de cada elemento do grupo para embarcar em mais um dia de correria por Sesimbra. A coordenadora Cláudia Gil resume a importância deste penúltimo dia: “Damos às crianças a possibilidade de crescer e a oportunidade aos pais – que estão apavorados com a ideia – de terem, em muitos casos, os filhos a dormir fora pela primeira vez. Temos actividades radicais e jogos nocturnos. Criamos relação muito forte nesse dia. É a pedra de fecho em grande de uma colónia”.

Inspirado no contexto de acampamento e fraternidade constante de uma colónia fechada, o utente e o monitor são impelidos a partilhar muito mais que umas brincadeiras. Misturam, durante quinze dias, de manhã à noite, risos, cansaços, inconfidências e aprendizagens colectivas. Os extrovertidos serão palhaços durante este tempo, os mais velhos responsabilizados por integrar os mais novos e os introvertidos expostos à necessidade de liderarem o grupo. Os horários não são tão rígidos, a correria fica-se pelos jogos diários, que vão desde cafés concerto onde se expõem diversos talentos a actividade radicais como o Canyoning – desporto que consiste na exploração de um rio, superando obstáculos da natureza –: ”Quando percorremos quilómetros a fio e sabemos que só saltando para dentro de água conseguimos evitar um percurso de mais uma hora, pegamos no elemento mais recatado e colocamo-lo a liderar o grupo. E ele salta…”, conclui Ricardo Marques, o principal rosto da programação das colónias fechadas.

Não se poderá dizer que existe uma rigidez na forma como se pensa o comportamento normativo dos jovens – estes até podem fumar se acompanhados pelo monitor e autorizados pelo encarregado de educação –, mas há códigos de conduta e organização que devem ser preservadas: “A boa disciplina é a que se consegue implementar e é aceite. É um modelo social e não se exerce pela força”, esclarece o responsável máximo pela renomeada Fundação O Século. Em Penamacor, por seu lado, a Jovens Seguros adopta uma estratégia inovadora: “Existem equipas de trabalho. O monitor supervisiona. Quando é o seu dia estipulado, as crianças fazem a limpeza da camarata e da cozinha e preparam os pequenos-almoços. Sempre juntos, sempre unidos. E depois vão para um Survivor de vários quilómetros em que têm que cumprir tarefas em grupo para alcançarem benefícios tão banais como talheres. A união faz a força”, reforça Joana Silva sem disfarçar o entusiasmo da programação de jogos e do cansaço acumulado que é estar numa colónia fechada: “Quem cá vem quer sempre voltar. Mas não é para todos. Acordamos com eles, reunimo-nos para planear o dia seguinte só depois de eles adormecerem. E ao acordar la estamos nós, preparados para correr e saltar, sempre a sorrir”.

Ser monitor/Ser coordenador

O papel de monitor e de coordenador é bem diferente. Se o primeiro tem a cargo um grupo definido – apesar de poder e dever divertir e corrigir todos os utentes de uma colónia –, o coordenador é o responsável por liderar equipas, ditar tempos de actividades e responsabilizar-se por todas as crianças: “É terrível. Ter consciência de ter 150 miúdos a nosso cargo é carregar o mundo nas costas. Em teoria, é a minha função dizer a um pai que lhe perdi o filho. Digo constantemente aos meus monitores que nunca se brinca com a vida dos filhos dos outros”, afirma Cláudia Gil.

Joana Silva salienta a dupla face de uma coordenadora, puxando ao assunto a dificuldade de liderar equipas com individualidades tão diferentes: “Não sou o protótipo de coordenadora. Faço palhaçadas, gosto muito de ser criança. Com os monitores é vital falarmos sobre tudo nas reuniões de balanço para não haver crispações. Não podemos ter medo de dizer nada, até reviro os olhos quando eles voltam a errar depois de os ter corrigido. Sou má, má…”, garante.

Os monitores de campos de férias inserem-se, maioritariamente, na faixa etária dos jovens adultos. Isso pode ser visto como recomendável para o dinamismo e proximidade do utente, mas como uma ocupação sazonal descomplicada e sem grande mérito no relacionamento social. Ricardo Marques valoriza uma das pontes que a sua associação proporciona: ”Damos uma formação curta e intensa e uma actividade profissional que a segue. Conseguimos motivar jovens que têm baixa escolaridade, para os quais a escola sempre foi um castigo. Inserimo-los com outros jovens e fazemos um espírito de companheirismo de big happy family”.

António Martins, por sua vez, começando a actividade de monitor aos 18 considera que o monitor continua a ser figura incompreendida: “Acho que os pais não fazem ideia de como é ser monitor. Os miúdos dizem tudo, mas não lhes conseguem explicar o ponto de vista do monitor. As escolas não valorizam o nosso trabalho ao longo do Verão. Mesmo aqui, muitas vezes me acusam de ser egocêntrico, de focar-me demais nos miúdos. Sim, concentro-me nos miúdos e tudo isso é recompensado quando o miúdo com que tu mais refilaste te diz que não escolheria outro monitor para estar. Continuo a chegar ao Verão e se não consigo fazer colónias de férias, entro em transe.”

Evolução ou revolução?

Hoje existe a diferença entre um mercado de quem vive da ocupação de tempos livres e aqueles que como a Fundação O Século o fazem pelo nome e missão que representam: “Temos 87 anos. Quando João Pereira da Rosa criou a Colónia Balnear Infantil de “O Século” – em referência ao extinto jornal – a nossa missão era dar a oportunidade desta vista paradisíaca a crianças que não sabiam o que era praia, que nunca tinham visto o mar. Continuamos a ter crianças que vêm de todos os distritos do país e a condição para a sua selecção é serem carenciadas, é não poderem pagar a colónia”, elucida Emanuel Martins, fazendo alusão à localização na Avenida Marginal em S. Pedro do Estoril. O Presidente do Conselho de Administração deixa até uma informação reveladora: “Com a equipa de monitores, coordenação, transporte, equipa médica, dormidas, alimentação e actividades a realizar, ficamos com prejuízo de 70 mil euros. Não vemos isto como negócio, vemos como uma boa obrigação de proporcionar felicidade às nossas crianças. O lucro vem do turismo social, do catering a eventos, de uma lavandaria e de equipamentos de diversão popular. Fazer serviço social em Portugal é um desafio de alto risco, cortam-se fundos quando há cada vez mais pessoas carenciadas…

As colónias de férias vivem de fases. Ricardo Marques dá-nos um exemplo prático de como a procura pode cair a pique: “Quando apareceu o caso Casa Pia houve uma diminuição grande de miúdos nas colónias fechadas. Dá-se uma desconfiança geral”, não se furtando a confidenciar, na pele de vogal da Educação na Junta de Freguesia de Benfica pelo Partido Socialista, a importância que as colónias possam assumir com um governo diferente: “Podem surgir novidades na legislação. Vemos nas colónias de Verão forma de evitar o desaproveitamento do ano escolar. É muito tempo entre sair e voltar a entrar na escola.”

As colónias de férias desempenham um papel fundamental na vida de crianças que são utentes e jovens adultos que se tornam monitores. As associações/fundações preocupam-se cada vez mais com programações apelativas, diferentes, entusiastas. Não chega o escorrega ou o jogo das escondidas. Começa a existir a consciência de que com as colónias as crianças se tornam mais independentes e capazes. Emanuel Martins advoga: “Se aprenderem a decidir pela sua cabeça, serão cidadãos livres, capazes de decidir o que querem para o seu futuro”.

Texto: Frederico Bártolo
Escrito de acordo com o Antigo Acordo Ortográfico

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