Voluntariado para todos os gostos

Manuel Lucena (Coração Amarelo), Sandra Barradas (União Zoófila) e Catarina (Aldeias SOS) © Bárbara Mota

Com uma plateia improvisada no Foyer -1, mas sem cadeiras vazias, os oradores começaram por destacar a importância da entrega pessoal, da “paixão pela vida”, como disse entusiasticamente Manuel Lucena, Presidente da Direção Nacional da Associação Coração Amarelo, uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) dedicada ao acompanhamento da população idosa e vencedora do Prémio Active Citizens of Europe 2014.

Os passeios, os reencontros entre familiares e as atividades que se desenvolvem junto dos mais velhos permitem, segundo Lucena, uma quebra na solidão e a sua envolvência na sociedade. Atualmente, e com cerca de 700 voluntários, a associação encontra-se espalhada por diversos pontos do país, de forma a alcançar mais pessoas. Os mecenas são também muito importantes, pois são estes que transformam muitos dos sonhos em realidade. Para alguns idosos, o Coração Amarelo ofereceu-lhes a oportunidade de experienciarem coisas tão simples como ver o mar ou rio Tejo pela primeira vez.

Envolver a sociedade na defesa e no apoio aos animais abandonados é o propósito da União Zoófila, outra das associações presentes. Esta associação conta, neste momento, com 600 cães e 200 gatos no seu espaço já lotado. Numa altura em que os direitos dos animais estão na ordem do dia, as situações de maus tratos e abandono são constantes. “Costumamos dizer que somos um campo de refugiados para cães e gatos. Os animais chegam-nos em situação muito complicada”, relatou Sandra Barradas, uma das responsáveis pela associação.

Nesta organização, e para além dos 70 voluntários e dos apadrinhamentos, o apoio chega através de donativos, quer sob a forma de rações, mantas e diversos bens, quer em termos monetários. Para lá destas ajudas, Sandra Barradas destacou a necessidade de um constante acompanhamento dos animais pelos voluntários que fazem parte da associação. Devido a episódios traumatizantes, os animais nem sempre lidam bem com a presença humana, daí que seja imprescindível criar uma rotina de visitas, proporcionando uma experiência mais positiva para cães e gatos.

Presente em Portugal e em mais 132 países, a Aldeias SOS acolhe crianças a longo prazo, criando‐lhes lares estáveis onde se podem sentir seguras. Nesta associação, as crianças têm a oportunidade de ter uma família, onde criam laços de amor com a Mãe. Esta mãe está presente 24h e estabelece uma relação de amor, afeto e carinho com as crianças que crescem protegidas por uma figura material.

A Aldeia, as Casas, as Mães SOS e os Irmãos são os quatro pilares que definem esta instituição. As palavras de ordem são “amor” e “relações”: “Os voluntários apoiam principalmente nas retaguardas: ajudam nas brincadeiras, ajudam nos trabalhos de casa… há relações, há laços afetivos que se criam”, conta-nos Catarina, representante do Gabinete de Marketing e Angariação de fundos da instituição.

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Noutros casos, o trabalho voluntário viaja também além‐fronteiras, permitindo a diversas associações dedicarem‐se a questões internacionais igualmente importantes, como a pobreza, a educação ou o desenvolvimento. Desdobram‐se em atividades nas mais diversas áreas, garantindo uma experiência de aprendizagem mútua, tanto para quem acolhe como para quem é acolhido.

Tal como o nome indica, a Equipa d’África é uma ONGD (Organização não Governamental de Desenvolvimento) que se dedica ao voluntário missionário em África, em particular em Moçambique e S. Tomé e Príncipe, mas também com alguns trabalhos desenvolvidos em território nacional.

Tendo como ponto de partida um conjunto de formações que decorre entre Novembro e Julho, os voluntários marcam presença em reuniões semanais, campos de trabalho em bairros sociais e outras atividades que os ajudam na preparação para a missão internacional. Com uma duração de duas semanas a um mês, o voluntário embarca nesta aventura preparado para todas as realidades. “Partimos para fazer o que for preciso. Essa é a única premissa. Temos de partir sempre com uma grande humildade”, refere André Figueiredo, ex aluno da ESCS e voluntário da associação.

A SVE (Serviço de Voluntariado Europeu), inserido no Pro Atlântico, apresentou-se de forma diferente: baseia-se numa rede de voluntariado e intercâmbio internacional jovem que permite uma visão mais ampla, bem como uma aprendizagem de outras culturas. É uma iniciativa financiada pela Comissão Europeia, que oferece a oportunidade de pormos em prática um dos projetos disponíveis online. Os jovens inscrevem-se naquele que mais gostarem e são apoiados a vários níveis, desde o início ao fim, independentemente do país europeu para onde viajam. Foi o que fez Raquel Amaral, licenciada em Jornalismo pela ESCS, que apostou em dar mais de si aos outros. Atualmente trabalha no SEV e, na ocasião, apresentou à plateia uma das voluntárias que acompanha neste momento.

Marta Baeta, a última oradora, conhece bem os cantos da nossa faculdade. Esta ex‐ escsiana tem um projeto individual de voluntariado intitulado “From Kybera with Love”, que ajuda famílias, principalmente crianças, no maior bairro de lata do mundo localizado no Quénia. “Comecei, através do Facebook, a divulgar a vida dessas crianças, aos meus amigos e à minha família, pedindo ajuda, explicando que com muito pouco podíamos fazer realmente uma diferença enorme naquelas pessoas, naquelas famílias.”, diz orgulhosa.

Devido à dimensão do projeto, Marta ainda trabalha sozinha no terreno, mas já conta com vários voluntários em Portugal, acreditando que este é o caminho que a faz realmente feliz.

A fechar as apresentações, foi pedido a cada representante das associações que contasse uma história positiva, numa tentativa de partilhar uma mensagem de esperança.

As histórias emocionaram espetadores e oradores.

Existiu, em todas elas, um traço comum: o amor e a dedicação. Umas tiveram um final triste, outras terminaram de forma feliz: reencontros entre familiares que não se viam há anos; animais que lutam para sobreviver e são acolhidos por famílias; crianças rodeadas de carinho e de família; gerações mais novas que apoiam e ajudam as gerações mais velhas; indivíduos estrangeiros que ultrapassam a barreira linguística e cooperam uns com os outros; e uma menina batizada com o nome de uma das voluntárias.

Entre crianças, jovens, cidadãos de diferentes culturas, idosos ou animais, as experiências vividas foram uma inspiração para todos os alunos que desejam dar muito mas receber ainda mais.

Já sabes o que é que vais fazer?

Texto: Marta Ferreira

Fotos: Bárbara Mota

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